Danças Brasileiras

Tambor de Crioula

“Você foi no tambor dela e não me levou..”
Toada de Tambor de Criola de Tião Carvalho, fundador do Grupo CUPUAÇU.

O tambor de crioula é uma dança que remonta ao período da escravidão; o primeiro registro foi feito por Mario de Andrade, no Maranhão, em sua expedição folclórica pelo Brasil. Os elementos fortemente percurssivos e circulares dessa manifestação representam uma resistência cultural dos negros africanos e seus descendentes em solo maranhense.
No tambor de crioula costuma-se respeitar a seguinte regra: apenas as mulheres dançam no centro da roda, e somente os homens tocam a parelha de tambores – formada pelo tambor grande, meião ou socador e crivador.

As mulheres se posicionam num semi-círculo em relação aos tocadores e toda a manifestação acontece neste diálogo corporal, musical e instrumental entre os participantes. Cada mulher é chamada ao centro, através da Punga (umbigada), onde desenvolve uma espécie de solo em que provoca tanto suas companheiras quanto os tocadores. Tal dança possui forte ligação simbólica com a feminilidade e a fertilidade.

Embora sua origem esteja relacionada aos terreiros de tambor-de-mina, onde era realizado em contexto religioso e sagrado, o tambor de crioula foi ganhando o espaço da rua e se tornou uma celebração popular festiva, praticada em diversos contextos. O tambor de crioula está associado aos festejos de São Benedito, santo protetor dos pretos, que ocorrem no mês de agosto, mas também é frequentemente praticada no encerramento de encontros de bumba-meu-boi.

Em 2007, o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – registrou o Tambor de Crioula no Livro das Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro. O reconhecimento do tambor de crioula veio fortalecer os mais de 60 grupos catalogados no Estado e salvaguardar este saber que vem sendo transmitido de geração a geração.

fundado em 1986
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