Jose Marcos Bueno


JOSÉ MARCOS BUENO

Nascido em 24/12/52, na cidade de São Paulo, José Marcos Pires Bueno, desde cedo, teve intensa vivência com o jeito “caipira” de viver, carregado que era, por sua avó Emerenciana Maria das Dores em constantes viagens para Piracaia, sua terra natal, e cidades da região, locais onde travou contato com congadas, catiras, novenas, romarias, folias de reis, festas de padroeiro, festas de Santo Antonio, São João e São Pedro, com muita quadrilha, música, dança, comilança de diferentes quitutes, doces e guloseimas, muito respeito e alegria.

Às noites ao pé do fogo, seja do centenário fogão a lenha da cozinha de taipa, da casa de seus tios avós Maria e Sebastião, seja ao redor da fogueira, a crispar no terreiro, sob a cumplicidade da lua e o pisca-pisca, incessante de vaga-lumes e estrelas, apreendia mistérios e ancestralidades nas histórias ouvidas sobre assombrações ou sobre aventuras de bisavós e tataravôs adentrando, bandeirantemente, os sertões paulistas ou de outro lado combatendo, bravamente, para não ser subjugado pelos invasores que, teimosamente, avançavam na posse de sua “terra brasilis”.

Assim, tomou gosto por modas de viola, serestas e serenatas, por bandas tocando dobrados nos coretos, por “causos” de velhos caboclos, arroz tropeiro, galinhada, doce de abóbora, canjica torresmo e quetais.

Adquiriu credo nas das benzedeiras e curandeiros saradores de quebrantos, espinhela caída e mau-olhado com suas rezas, ervas, simpatias e patuás.

Rodou pião, montou cavalo, ordenhou vaca e cabra, empinou pipa, jogou bola de gude, pulou fogueira, subiu em arvore, fez arapuca, criou galinha, pato, porco, peru, plantou café, cenoura, couve, alface, chupou cana, nadou em rio, comeu goiaba, araçá, ingá, pitanga, jatobá e assim aprendeu a respeitar a natureza e reconhecer seu potencial.

Herdou do pai, um olímpico anônimo, o gosto pelos esportes e em vista disto praticou várias modalidades na escola, clubes de bairros, grupos de amigos e mais tarde nas diferentes empresas em que atuou.

Teve uma educação religiosa de tendência um tanto quanto ecumênica, freqüentou cultos, missas, sessões espíritas, terreiros de candomblés e umbanda.

Com seus pais, festeiros, dançantes e apreciadores das artes foi incentivado à leitura, a ida ao cinema, teatro, exposições e espetáculos musicais, fazendo que iniciasse a construção do censo crítico e um conhecimento pautado na diversidade.

Na adolescência, participou e criou vários grupos de amigos como a “Turma do Brejo” que além de manter um time de futebol de salão era uma equipe que realizava “bailes”, que atraiam mais de quinhentos jovens, ao som de hits internacionais e sucessos dos grandes artistas brasileiros da época em suas diferentes modalidades.

Durante o ensino médio (anos 70) participou da fundação do Centro Cívico da escola onde (E.E.S.G.Prof.Rui Bloen) estudava e promoveu festivais de música, mostras de teatro e poesia, torneios esportivos e gincanas culturais, além de, também, fundar e participar de um grupo de teatro amador por mais 6 anos , realizando vários espetáculos de autores brasileiros como “A Morte do Imortal” de Lauro César Muniz , apresentado em escolas, associações de bairros e igrejas da periferia e no antigo Teatro Escola de Diadema, onde o grupo ensaiava e seus integrantes faziam curso de teatro com Ulisses Cruz .

Em 1974, ingressou no curso de História da F.F.L.C.H. da USP e desde o início aproximou-se da área cultural do Centro Acadêmico da faculdade, participando de mostras poéticas e leituras dramáticas de autores nacionais e estrangeiros como Martins Pena, Kafka, Moliére, Sartre, Dias Gomes, Guarnieri entre outros.

Integra, neste mesmo ano, a chapa que concorre para assumir a direção do Centro Acadêmico Afonso de Taunay.

Nos anos de 1975 e 1976 produz e realiza nos auditórios História/Geografia as 1ª e 2ª Mostras Musical Universitária, em que, durante quatro finais de semana seguidos, eram apresentadas composições de estudantes das várias faculdades das USP bem como de outras não pertencentes ao complexo uspiano como PUC, ESPM, PUC, Santa Casa, Mackenzie, Casper Líbero e outras.

Participa também, em 1976, da elaboração e publicação da revista “Maria”, que apresentava poemas de alunos da História.

Ligado, desde 1982, a trabalhos relacionados à arte em suas varias vertentes e em especial à cultura popular como o Teatro Ventoforte, dirigido pelo dramaturgo e diretor ILO KRUGLI, participou de vários projetos dirigidos à infância e juventude – “Mitos e Heróis da Transformação” (Funarte/Minc), realizado em favelas existentes na região do Itaim Bibi; Projeto “Os Muros que Cantam, Dançam e Falam” (Funarte, IAPHAN e MinC) realizado na E. E. P. G. Aristides de Castro,no Itaim Bibi,atendendo alunos de 1º grau e “De Quem é a Criança” em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo entre outros.
No VENTOFORTE atuou, também, como ator, administrador, diretor tesoureiro, assistente de direção, cenógrafo, artista gráfico, divulgador, assessor de imprensa e produtor, tendo sido o articulador e um dos maiores responsáveis pela construção e implementação do Espaço Feira de Arte Ventoforte, local que abriga, desde 1985, o Teatro Ventoforte.

Participou, também, de eventos de monta em São Paulo como “A TRAMA DO GOSTO” (Fundação Bienal) como curador da instalação ao vivo “O Baile” e do I Festival das Mulheres, realizado pela atriz e produtora Ruth Escobar, como curador da exposição de artes plásticas.

Foi o diretor artístico da XI Feira de Artes da Vila Pompéia, evento que teve a participação de mais de 2.000 artistas (atores, músicos, bailarinos, circenses, artistas plásticos) se apresentando em oito palcos além de cerca de mil stands de artesanato, comidas típicas, moda e de entidades sociais . O evento teve um público de 150 mil pessoas.
Produziu shows com artistas renomados como DEMONIOS DA GAROA, PAULO MOURA, SEBASTIÃO TAPAJÓS & GILSON PIRANZETTA, GRUPO RUMO, LOS VAN VAN (Cuba), VERONICA SABINO, LUIZ MELODIA, OS CARIOCAS, EDUARDO DUZEK, CARMEM COSTA, ROLANDO BOLDRIN. MOREIRA DA SILVA & JARDES MACALÉ etc..
Produtor de grupos de teatro, musicais e dança como: CIA. DE SAIAS, Banda MEXE COM TUDO Teatro VENTOFORTE, Banda MAFUÁ, , ORQUESTRA DO MAESTRO AZEVEDO, SOSSEGA LEÃO, Banda MISTURA E MANDA, FARINHA SECA, AQUILO DEL NISSO, CORDA CORAL etc., trabalhos realizados, como autônomo ou em parceria com Entidades Culturais e afins.

Um dos fundadores do Grupo CUPUAÇU (1986) atua como dançarino, músico e produtor, além de ser diretor administrativo do Grupo CUPUAÇU, Centro de Estudos de Danças Populares Brasileiras tendo, ao longo dos anos, participado de inúmeras apresentações, eventos, encontros e debates, em variados espaços da cidade de São Paulo e diferentes cidades do estado paulista como também em outros estados brasileiros como a I Mostra de Cultura Popular da Estância Turística Ribeirão Pires, SP, em 2006; Sinfonia Multi-étnica “IMÃ ETÊ”, concebida pela antropóloga e multi-instrumentista PRISCILA ERMEL, com a Orquestra Jazz Sinfônica do Estado São Paulo e Índios Ikolem Gavião (RO), sob regência do Maestro Abel Ferreira e Direção Artística de João Mauricio Galindo, realizada no Memorial da América Latina. 2005 e o Projeto Vivências Culturais, realizado pelo Instituto TOMIE OTAKE em parceria com a Prefeitura de São Paulo, trabalhando a dança e música do Bumba Meu Boi, com professores da rede pública de ensino municipal. Desenvolvido no Espaço Unibanco de Cinema. 2003 e 2004.

Com o CUPUAÇU realiza, também, desde 1996, as Festas do Bumba-meu-boi (Nascimento, batizado e Morte), eventos que agregam mais de três mil pessoas por edição e que já teve a presença de figuras notáveis das artes brasileiras como: LIA DE ITAMARACÁ (PE), Dona TETE (MA), FAMÍLIA ALCÂNTARA (MG), CAIXEIRAS DO DIVINO DA CASA FANTI ASHANTE (MA), Grupo ABAÇAI (SP), NANA VASCONCELOS (PE), CIRANDEIROS DE PARATY (RJ) e Grupo CACHERA! (SP), entre outras.
Tem vasta experiência no contato com artistas e empresas de promoções artísticas. Contatos com órgãos públicos, entidades patronais de desenvolvimento socio-cultural para realização de parcerias em projetos e programas de ação cultural bem como na elaboração e seleção de programação artística, organização e administração de eventos especiais (coquetéis, jantares, vernisages, lançamentos de livros e discos etc.).
Participou na elaboração e direção artística e geral de várias edições da Feira de Artes da Pompéia, evento anual que leva às ruas da Pompéia, no 3º domingo de maio, mais de 150.000 pessoas e que recebe em oito palcos cerca de 2.000 artistas (música, teatro e dança) e centenas de artesãos.

Ao longo dos anos, realizou trabalhos de Assessoria de imprensa, divulgação, promoção e atendimento à mídia. Elaboração e supervisão de organogramas, cronogramas e planilhas de custos. Planejamento e direção de exposições iconográficas, fotográficas e audiovisuais. Produção executiva, assistência de direção, cenografia e cenotécnica de espetáculos teatrais, de dança e música.

Poeta e escritor prepara o lançamento de “Câmera de Impressões” (Poesias) e o do livro infantil “A história do papel de seda que sonhou ser beija-flor e acordou balão” . Escreve artigos sobre música para jornais da imprensa alternativa como a coluna “MUSICALDO”, inserida sazonalmente no Jornal da Praça Benedito Calixto.

Cria e desenvolve, ainda, projetos culturais e sociais visando a obtenção das benesses das leis de incentivo à cultura como, entre outros, “50 anos da ORQUESTRA BANDOLINS DE SÃO PAULO” (2006) e “Meu Boi Chegou” (2008) aprovados na Lei Rouanet de incentivo à cultura do MinC e capacitados para obtenção de patrocinadores.

Atuando na PÔR DO SOM Produções Artísticas Ltda., Selo Independente, desde 2002, no Planejamento, Produção Executiva Geral de Cds e dos Shows de lançamentos destes, tendo realizado mais de trinta trabalhos. Entre outros destacamos: “Serestando” do cantor e violonista João Macacão apresentando clássicos do samba, do choro e da seresta; “Antídoto” do multi-instrumentista, compositor e performático piauiense EMERSON BOY; “São João do Carneirinho” com a CIA CABELO DE MARIA interpretando temas juninos de Luiz Gonzaga: “Contos de Todos os Cantos” de GIBA PEDROZA E RENATA MATTAR (finalista do Prêmio Tim, 2008); “Dez Anos Depois”, Cd instrumental do multiinstrumentista e compositor RENATO ANESI, 2007; “Malandros Maneiros” de ZÉ LUIZ DO IMPÉRIO SERRANO (finalista do Prêmio BR Rival, 2008), com composições de um dos principais sambistas desta grande escola carioca, 2007; “Capoeira Água de Menino”, toadas tradicionais, sambas de roda e composições do Mestre KENURA, 2006; “CANJA” do maestro e arranjador ANDRE JUAREZ, 2006; “Tião Canta João”, Cd de TIÃO CARVALHO homenageando João do Valle, 2005; “COMUNIDADE SAMBA DA VELA”, do movimento homônimo que ocorre no bairro de Santo Amaro, São Paulo; “Que Peste É Isso? Grupo ÔXE de Alagoas”; “Com Todo Respeito” do compositor e sambista TEROCA, homenagem a grandes nomes da MPB como CARTOLA, NOEL ROSA, JOÃO NOGUEIRA, VINICIUS DE MORAES etc.; “Roda De Histórias” do Grupo de Contadores de histórias GIRASONHOS, com participação do Grupo “A BARCA” , JOÃO ACAYABI; LU HORTA, Grupo CACHUERA! e “Quando Dorme Alcântara” de TIÃO CARVALHO; “Capoeira Angola“ do Grupo N’ZINGA ; “Do Cariri Pro Japão”, autoral de JARBAS MARIZ; “O Teu Gramophone … É Bão” de TEREZA PINESCHI, com composições do final do Século 19 e início do 20 .

Produtor cultural e musical integrou a equipe de produção geral do Projeto “TIÃO CANTA JOÃO”, contemplado pelo PROGRAMA CULTURAL PETROBRÁS que viabilizou a produção do Cd de TIÃO CARVALHO em homenagem a JOÃO DO VALE.
Realizou recentemente a produção geral de dois projetos para a CAIXA CULTURAL – SP e RJ – respectivamente “Contos de Todos os Cantos” e “Tião Canta João” e no Centro Cultural Banco do Brasil-SP: “É Tradição e Samba Continua” evento que durante cinco semanas apresentou dois shows às terças-feiras, prestando uma homenagem ao compositor Geraldo Filme com a participação de vários nomes do samba de São Paulo como Osvaldinho da Cuíca, Velha Guarda da Camisa Verde e Branca, Dona Iná, Quinteto em Branco e Preto, Comunidade Samba da Vela, Fabiana Cozza entre outras atrações.

fundado em 1986
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