Danças Brasileiras

Bumba Meu Boi

“Na ilha eu vi matraca tocar. Na ilha eu balancei meu maracá. Reúne meu povo e meu batalhão, pra tocar toada nova em louvor a São João.”

 A maior expressão do Grupo Cupuaçu é o Bumba-meu-boi. Dança de origem desconhecida, embora seja evidente forte influência indígena e africana nesta manifestação, presente em muitos estados do Brasil, e principal ciclo festivo de São Luiz do Maranhão.

No maranhão esta dança se divide de acordo com os três sotaques (ritmos) existentes: Sotaque de matraca (ou da ilha) – encontrados na baixada ou na Ilha de São Luís; sotaque de zabumba – encontrados na baixada; sotaque de orquestra – do sertão do Maranhão. Cada sotaque exerce influência distintas na dança, indumentária e música da manifestação. O Grupo Cupuaçu prioriza, em seu trabalho, o sotaque de matraca.

Em ciclos e rituais bem demarcados (nascimento, batizado e morte), é uma manifestação em que as comunidades integram tempo, espaço e natureza, recheada de personagens reais e fantásticos, cômicos e sagrados. Situa assim a vida individual em harmonia com o todo, em ritos significativos para o grupo e o coletivo que o acompanha.

Tem o auto do Bumba Meu boi como pano de fundo para a narrativa embora nem sempre se manifeste nas brincadeiras espontâneas.

O auto do bumba-meu-boi conta a saga de um boi maravilhoso que suscitou o desejo da grávida Catirina. O casal de retirantes, representado por Mãe Catirina e Pai Francisco tenta negociar a compra do boi, mas o amo da fazenda diz que o boi não está a venda. O casal insiste, mas o amo é claro e não cede à insistência do casal. Durante a festa, o boi some misteriosamente da fazenda e todo o batalhão sai em sua procura. Os índios encontram-no na capoeira (área desmatada ou de mata rasteira) e o trazem de volta. Mas o boi está doente e já não dança mais. Curandeiros, pajés e doutores são chamados para tentar curar o boi. O desfecho da história depende da participação do público e só pode ser revelado aos presentes.

O Auto é um teatro popular, cujo drama repete-se incansavelmente através dos tempos, atuando com imagens mitológicas e profundas. Nele aparecem o desejo, o poder, a morte, a solução do inconciliável, a ressurreição. Ele é fio condutor para a representação dos personagens mantendo seu caráter participativo, reflexivo, crítico e cômico.

fundado em 1986
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