Desde 1990, o Grupo Cupuaçu organiza e realiza anualmente a tradicional festa maranhense do Bumba-meu-boi, no Morro do Querosene (Vila Pirajussara), em São Paulo, que acontece três vezes ao ano: “Renascimento”, “Batizado”,  e “Morte”, no final do ano. A festa tem caráter totalmente comunitário, envolvendo não só a participação dos integrantes do grupo, mas também dos moradores do bairro e região, atraindo cerca de cinco mil pessoas a cada festa.

Importantes personalidades e grupos ligados à Cultura Popular Brasileira já marcaram presença nestas festas, como Lia de Itamaracá (PE), Grupo Abaçai (SP), Dona Teté do Cacuriá (MA), Família Alcântara (MG), Cirandeiros de Parati (RJ), Antonio Nóbrega (PE), Grupo Cachuera! (SP), Teatro Popular Solano Trindade (Embu-SP), Naná Vasconcelos (PE), Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti (MA), Maracatu do Baque Bolado (SP), entre outros.

Renascimento (Sábado de Aleluia)

Iniciando o ciclo do Bumba meu Boi, o nascimento quebra a aleluia e inicia o ano dos brincantes. No Maranhão, a primeira festa é considerada o primeiro ensaio do ano, convidando a comunidade e os pesquisadores e saindo nos bairros com sua dança. No Grupo Cupuaçu, realizada no sábado de aleluia, a festa do renascimento inicia as atividades, reaviva o boneco do boi e programa as festas que vêm a seguir no Morro do Querosene.

A tradição é de esperar até o batizado para escolher o novo nome para o couro do boi, os novos padrinhos e presentes do ano, para isto, o nascimento abre os caminhos com novas possibilidades.

Batizado (Junho)

Reblogando do Catraca Livre

Organizado pelo grupo Cupuaçu, há 25 anos acontece o “Batizado do Boi”, no morro do Querosene, zona oeste, de São Paulo. O grupo segue o termo do norte: bumba-meu-boi, tradicional do Maranhão. “É um ciclo de nascimento, vida e morte do boi. A nossa festa comemora seu nascimento. É mais celebrativa”, comenta Ana Flor de Carvalho, integrante do grupo Cupuaçu e filha do idealizador, Tião Carvalho.

Segundo Ana, a celebração é mais expressiva por ser integrada a São João padroeiro dos animais. Mas, o ritual mesmo é o do fim do ano, quando ele (o boi) dança pela sua morte. Durante a festa são eleitos padrinhos. Geralmente, membros da comunidade do morro do Querosene. A festa tem início à tarde e vai até a madrugada do outro dia.

E, a cada edição, um integrante da comunidade torna-se o “miolo do boi”, aquele responsável por dirigir o animal à sua saga. “Para comandar o boi é preciso ser alguém que esteja acostumado com o peso e movimentos”, comenta.
Os padrinhos são pessoas que ajudarão com a organização da festa. Nas comunidades mais tradicionais os padrinhos têm uma função mais atuante na comunidade. “O que queremos com a festa é fazer a manutenção da tradição”, coloca.

 

Morte (Outubro/Novembro):

Realizadas a mais de vinte anos, no Morro do Querosene (Vila Pirajussara, no Butantã), o ciclo do auto do bumba-meu-boi Nascimento, Batizado e Morte – apresenta a dramaticidade da saga do casal “Mãe Catirina e Pai Francisco” em que, ela grávida, tem vontade de comer língua de boi. Entretanto o boi em questão é o grande animador da festa, “o boizinho encantado” de São João, que brinca, dança e faz a alegria geral de todos os presentes.Assim, ao som de belas toadas, muita dança e interação com o público que o Grupo Cupuaçu apresenta uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular brasileira.